Resenha
Baseado em fatos verídicos que ocorreram na Grécia em 1963. “Z” é um clássico do thriller político que reconstitui o assassinato do deputado esquerdista Grigoris Lambrakis, vítima de uma conspiração elaborada pelo alto escalão das Forças Armadas da Grécia, em 1963.
A história começa com uma palestra dirigida aos militares, onde os opositores são comparados a fungos que precisam ser exterminados antes que contaminem o restante da população sadia.
Gregorius Lambrakis – professor de medicina da universidade de Atenas, deputado da União Democrática e um dos mais populares chefes da oposição grega, preside uma reunião organizada em prol da paz.
Apesar de muitos empecilhos surgidos na ultima hora, a reunião acontece.
Na saída do evento Lambrakis é atropelado por uma motocicleta. Já inconsciente, ele é levado para um hospital, onde morre três dias depois em decorrência de graves ferimentos.
Entra em cena o magistrado (Jean-Louis Trintignant), disposto a solucionar os mistérios que cercam o “incidente”. Ele é um justiceiro solitário que encontra adversários em todas as instituições governamentais. Seu único aliado é um jovem jornalista (Jacques Perrin) que presenciou o fato.
As testemunhas e integrantes do partido de esquerda sofrem agressões e tentativas de assassinato. As investigações sofrem resistências, mas, ainda assim, o magistrado consegue denunciar todos os responsáveis, inclusive os mais condecorados oficiais, no delito de homicídio.
Nos últimos minutos, um noticiário de televisão comunica que todas as testemunhas morreram em acidentes suspeitos e mais, que os militares sofreram apenas sanções administrativas e que os co-autores civis do crime foram condenados a penas irrisórias. O noticiário ainda informa que semanas antes das eleições, os militares tomaram à força o poder, resultando na demissão do magistrado e que opositores foram mortos ou extraditados. Num corte é revelado que o jovem jornalista foi preso e que o novo regime ditatorial proibiu determinados comportamentos e assuntos como a filosofia, a sociologia, o direito de greve, a música popular, a matemática moderna, a liberdade de expressão e a letra “z”, que, em grego antigo, significa “ele está vivo”.
Um filme engajado porque nada pode evitar que se estabeleçam paralelos e comparações coerentes com o que já ocorreu e ocorre em outros paises.
“Qualquer semelhança com eventos e pessoas da vida real não é coincidência. É intencional”. – enfatiza Gravas.
Cenas interligadas em flashbacks e uma edição frenética deram o tom certo ao filme no estilo de um documentário.
*Estes trechos históricos foram transpostos pela forma de romance pelo escritor Vassili Vassilikós em livro publicado na Grécia, e pouco tempo depois proibido.
Fonte: Juliana Dias